BIS vê euforia com IA como risco para bolsas e para a economia real
O entusiasmo em torno da inteligência artificial está ajudando a sustentar o apetite por risco nos mercados, mas o Banco de Compensações Internacionais (BIS) vê sinais de alerta cada vez mais claros. Em seu relatório anual, a instituição chama atenção para a combinação de ações caras, otimismo excessivo e estruturas de financiamento que podem amplificar perdas se a narrativa de crescimento começar a perder força.
Na leitura do BIS, o problema não é a tecnologia em si, mas a forma como o mercado passou a precificar expectativas muito altas em torno dela. Quando as avaliações ficam distantes dos fundamentos e os investidores presumem que a tendência de alta continuará indefinidamente, qualquer frustração pode desencadear uma correção brusca nas bolsas.
Outro ponto destacado pelo relatório é o que a instituição descreve como financiamento circular, em que empresas e investidores se retroalimentam em um ecossistema de apostas sobre o mesmo tema. Esse tipo de arranjo pode parecer robusto enquanto os preços sobem, mas tende a se revelar frágil quando a liquidez aperta ou quando surgem dúvidas sobre a capacidade real de monetização dos projetos.
O risco, segundo o BIS, não se limita ao mercado acionário. Uma queda forte nas ações ligadas à IA pode contaminar o crédito, pressionar balanços e elevar o custo de captação para empresas mais expostas ao tema. Em um cenário assim, o impacto deixaria de ser apenas financeiro e passaria a ameaçar investimento, confiança e emprego, mostrando como uma euforia de mercado pode rapidamente ganhar dimensão econômica mais ampla.